pedroribeiro2Num momento em que os indicadores, refe­rentes aos fluxos turísticos dos mercados inter­nacionais, para Portugal, apresentam valores que parecem antagónicos, outros ratios demonstram a relevância crescente desta indústria na eco­nomia nacional. O Turismo atinge actualmente uma maior importância em termos percentuais no PIB nacional e nas indústrias que mais pessoas empregam. Igualmente ao nível das nossas ex­portações, o Turismo apresenta um lugar de des­taque, sendo já a primeira indústria exportadora.

Apesar deste contexto macroeconómico e do governo ter anunciado que 2010 tinha sido o melhor ano de sempre em termos de receitas turísticas (aumento de 10%), a realidade das uni­dades hoteleiras não acompanha estes números, referindo-se muitas a 2010 como tendo sido o pior ano de sempre na sua actividade. Trata-se de conjunturas bastante distintas e o mais estranho é que ambas poderão estar certas.

Nos últimos anos, a oferta hoteleira nacional tem crescido sem critério e sem o devido acom­panhamento no investimento em infra-estru­turas complementares de turismo. Desde 1998 que não surge uma infra-estrutura que se possa considerar como motivadora de fluxos turísticos e, ao contrário, surgem dezenas de novos hotéis anualmente por todo o país. Segundo os dados do Governo, as receitas globais do turismo têm cres­cido, mas o resultado individual dos vários ope­radores e proprietários de unidades tem vindo a decrescer ano após ano. Trata-se sem dúvida de uma desadequação crescente da oferta à procura dos mercados.

Para adequar esta oferta é necessário que exista um investimento na promoção dos vários destinos nacionais e de uma procura por mer­cados e segmentos alternativos, política esta que tem vindo a ser seguida, mas que deverá ser intensificada, quer pelas entidades oficiais, quer pelos privados, que muito fazem pela promoção de Portugal.

Neste momento o maior problema do turis­mo nacional é de produto e não de promoção, existe uma desadequação da oferta, uma falta de infra-estruturas que potencializem o aumento dos fluxos turísticos, como, por exemplo, Cen­tro de Congressos (inadmissível que Lisboa tenha um único Centro de Congressos e que o mesmo seja uma adaptação), parques temáticos, museus de expressão internacional, e, para além disso, o défice de eventos âncora anuais, tais como fes­tivais e anos temáticos, que sejam programados com a devida antecedência para serem comer­cializados pelos canais de distribuição.

A distribuição do produto turístico sofreu profundas alterações nestes últimos anos, essen­cialmente com o aparecimento das companhias de aviação "low cost", sendo sem dúvida uma das indústrias onde a distribuição online é hoje mais poderosa, apesar disso continuam a existir segmentos bastante significativos em que a dis­tribuição tradicional continua a ser importante e a monopolizar os fluxos. Desta forma é necessá­rio que o produto se adapte a esta dupla realidade e tal exige um esforço de todos os agentes envol­vidos no processo, quer privados, quer públicos.

Uma coisa é certa, o Turismo nas suas mais variadas envolvências é a indústria do presente e do futuro, mas, para tal, tem de ser acarinhado pelas entidades oficiais, as quais têm de lhe dar importância e de criar condições para um desen­volvimento correcto do produto e para a promo­ção do mesmo.

Artigo publicado na edição Março 2011 da Revista Marketeer

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