comprar1Um estudo realizado pela consultora Publicis em Portugal revela que, em média, 8 em cada 10 decisões de compra são tomadas pelas mulheres. A estatística serviu de mote para um debate, realizado esta terça-feira, sobre o modo como o domínio das mulheres nas decisões de consumo deve afectar a estratégia de comunicação das empresas junto do sexo feminino e masculino.

De acordo com Anthony Gibson, CEO do grupo Publicis Portugal e director de negócios corporativos na UE da Leo Burnett, 60% das mulheres inquiridas afirmaram sentir-se incomodadas pela forma como são retratadas nas campanhas publicitárias. Num debate que teve como audiência directores de empresas, bem como directores de marketing, comunicação e vendas, o responsável deixou alguns conselhos aos interlocutores com base nos dados recolhidos através do estudo, realizado em Dezembro de 2011. «Não as chamem compradoras ou donas de casa. Menos de 5% das mulheres vêem-se como tal», afirmou Gibson, para quem «os marketeers muitas vezes ignoram a vertente multidimensional da mulher» e trabalham com 'estereótipos'. «Já não funciona retratá-las como carentes, medrosas, incompletas, assumindo a marca como o seu herói», defende.

A mesma ideia foi partilhada pelo outro orador convidado, Nuno Ferreira Pires, director de Marketing ibérico da marca de tintas Dyrup. Partindo da premissa de que «o ADN das mulheres é a sensibilidade» e «as verdadeiras escolhas fazem-se ao nível emocional», Ferreira Pires ressalva, porém, que o paradigma das decisões de consumo começa a mudar. Segundo o responsável, há alguns territórios em que as mulheres começam a «dar novamente poder aos homens». «Hoje em dia, as mulheres já levam os homens para as ajudar a escolher roupa ou a cor do sofá, algo que não acontecia há 10 anos», exemplifica. Da mesma forma, os homens também alteraram os seus comportamentos de compra, em áreas como o vestuário ou a cosmética. Por isso, defende, tem de haver open minding da parte dos profissionais de marketing e abandonar o «erro de fazer comparações» entre sexos.

O evento, que teve lugar em Lisboa, foi organizado pela Câmara de Comércio Americana em Portugal (CCAP) e pela European Professional Women's Network (EPWN).

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