8.ª Conferência Marketeer: colaborar para obter melhores conteúdos

É necessário criar conteúdos mais relevantes. E isso apenas será possível com recurso à colaboração de diversos elementos dos media, das agências aos jornalistas. Esta foi uma das ideias emergidas na 8.ª Conferência da Marketeer.

Numa conversa a três, Alberto Rui, CEO da IPG Mediabrands, David Dinis, director do Público, e Rita Torres Baptista, directora de Marca e Comunicação da Nos, discutiram a melhor estratégia para as marcas chegarem aos seus targets, afirmando que as marcas precisam de estar próximas da produção de conteúdos, pois precisam destes para evoluírem.

«Um media de sucesso é colaborativo. Não há estratégias one-size-fits-all, tem de se aplicar uma estratégia específica em cada caso. E, para tal, é necessário que os diversos players deste processo trabalhem em conjunto, desde o início até ao resultado final», vinca a directora de Marca e Comunicação da Nos. E «o “investir em nós” tem de passar a “trabalhar connosco”. Só assim será possível evoluir», complementa David Dinis.

No entanto, todos este processo começa com a delineação de uma identidade forte, assente na «transparência, humildade, disponibilidade e afabilidade», como refere David Dinis. «Há que criar marcas fortes, que sobressaiam no processo de comunicação. É preciso fazer um bom trabalho para construir uma identidade forte, assente no que distingue uma marca das demais», vinca Rita Torres Baptista.

No caso do jornalismo, David Dinis vinca que o foco tem de estar nos fundamentos da profissão: boas notícias, boas histórias e informação útil, o que contribuirá para o reconhecimento dos meios de comunicação junto dos consumidores. «As pessoas sabem procurar a informação que querem. E as preferências dos consumidores estão segmentadas, consoante o que cada meio faz de melhor. Há certos temas que as pessoas procuram nos jornais, como no Público, porque nos reconhecem qualidades para abordar determinados assuntos», explica o director. E acrescenta que «os conteúdos é que fazem a diferença. Há a diferença entre dar a notícia de uns resultados financeiros e fazer um artigo acerca do impacto dos mesmos, oferecendo novas persepectivas ao leitor».

O CEO da IPG Mediabrands vinca que, para chegar eficazmente ao targets, é necessário ter recursos especializados, o que obriga a um maior investimento. «Há uma grande transformação de recursos porque são necessárias novas competências, o que leva a um esforço muito grande para apostar na qualificação dos profissionais. E isto é fundamental porque as agências têm de se reinventar para demonstrarem o seu valor e assumirem-se com uma mais-valia para os clientes», vinca Alberto Rui.

Rita Torres Baptista conclui mencionando que «é preciso haver mais transparência, relevância e capacidade de surpreender, com recurso à criatividade. Isto traduz-se em qualidade e se não houver, não há conteúdo, há ruído».

Importância dos vários meios

A propósito do alocamento de budget ao digital, Alberto Rui recorda que não se pode descurar os restantes meios, até porque a geração analógica é a que tem um maior poder de compra. «É por isso que o investimento em televisão continua a ser importante, onde se obtém uma audiência de dois milhões de consumidores no horário nobre. É preciso uma transformação, é um facto, mas há que equilibrar o investimento entre os diversos meios», afirma o CEO.

No digital, e acerca das notificações push, o director do Público (jornal que adopta esta estratégia) vinca que tem de existir um calculismo acerca deste tema. «Não vale a pena dar notificações em excesso porque as pessoas sentem que estamos a ser abusivos», alerta.

Texto de Rafael Paiva Reis

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