«Com pouco fazer muito» é a filosofia do Shifter

“Sabes quanto vale o teu clique?” é a pergunta deixada pelo Shifter a todos os que assistirem à sua primeira campanha. Criado há quatro anos por Mário Rui André e João Ribeiro, pretende ser um meio de comunicação virado para a geração digital – com uma linguagem e temas pensados para este tipo de público.

Agora, a plataforma chegou a um ponto de viragem. Tem uma nova imagem, está a preparar um novo site e aplicação móvel e conta, para isso, com a ajuda de todos: está em curso uma campanha de crowdfunding cuja meta a alcançar corresponde a cinco mil euros. Mário Rui André, co-fundador e director Operacional do Shifter, conta à Marketeer que destino terá este montante, como tem sido a evolução do site e o que motivou a mudança visual e lançamento da primeira campanha.

Porquê esperar quatro anos para lançar a primeira campanha?

O Shifter não arrancou de forma linear. Não houve um dia em que nos sentámos todos e decidimos fazer isto. Sentimos só agora estar prontos para dar o próximo passo, unindo todas as peças que montámos ao longo dos últimos quatro anos. Temos uma nova imagem gráfica, que nos representa melhor e que ficará completa quando for lançado o novo site; temos uma linha editorial da qual nos orgulhamos; e temos uma estratégia comercial que só agora está bem delineada.

Como foi desenvolvida?

Toda a campanha foi pensada internamente. Eu e o João Ribeiro tirámos Publicidade e Marketing. Ele é especialmente bom com estratégia. Temos pessoas que sabem fazer bons copys e outras que são incríveis a realizar vídeos com pouco material. O vídeo que lançámos não é uma super produção de uma grande produtora. É uma demonstração do talento que temos na equipa do Shifter e do nosso “desenrascanço” (com pouco, fazer muito), e isso foi também o que quisemos exemplificar – que fosse um produto nosso.

Qual é o impacto/retorno esperado?

Estamos a trabalhar para dois objectivos. Um deles é atingir os cinco mil euros no crowdfunding, que nos permitirá continuar a desenvolver o projecto, profissionalizá-lo e lançar o novo site e uma app para smartphones, que acreditamos ter um conceito bastante inovador. O outro é reforçar a notoriedade, fazendo chegar a nossa promessa e valores a mais pessoas, bem como comunicá-la melhor à comunidade que já nos segue.

Os meios de comunicação, em geral, sabem comunicar-se?

Um órgão de comunicação social também é uma marca e, como tal, tem de se relacionar com os seus consumidores, que, neste caso, são os leitores. Tem de ter um propósito claro na sociedade, isto é, ser relevante para as pessoas. Nós falamos sobretudo para a geração digital e a nossa missão é direccionada para ela: compreender melhor o presente e ajudar a preparar o futuro. Queremos estar em cima de temas como fake news, inteligência artificial e economia de partilha, desdobrá-los para que a geração digital seja capaz de compreender o que se passa no mundo e tenha as ferramentas de que necessita para actuar. Muitas vezes, na comunicação social, o propósito de cada órgão não é distinto – não se percebe a diferença entre um e outro jornal para além do design e dos números. Nós temos uma missão muito específica e honesta e queremos comunicá-la o melhor possível.

shifter novo logo

No mesmo sentido, o que motivou, agora, a mudança de imagem do Shifter?

Quem nos acompanha sabe que o novo logo e o novo site são duas coisas nas quais estávamos a trabalhar há algum tempo e que, por contratempos vários, não conseguimos colocar no ar mais cedo. Por um lado, ainda bem, que conseguimos melhorar o trabalho que já estava feito. Achamos que o novo logótipo representa melhor o Shifter e foi necessário para marcar uma nova etapa. Queremos agora lançar o novo site o quanto antes, pois vai tornar bem mais claro o que somos e a nossa abordagem editorial.

O posicionamento tem mudado ao longo dos anos ou o projecto mantém-se?

Sim, tem mudado. Quando começou, o Shifter era um blogue de tecnologia, só mais tarde demos o salto para órgão de comunicação social virado para a geração digital. Diversificámos as áreas de que falávamos, tentámos perceber que temas eram pertinentes e eliminámos aqueles que não faziam sentido. No fundo, aprendemos experimentando, olhando para o mercado cá dentro e, principalmente, lá fora (que é bem mais evoluído) e atendendo ao feedback da nossa comunidade – sempre muito activa e participativa, seja nos comentários, seja por mensagem privada. Aliás, a comunidade é algo que nos diferencia também.

A par das alterações visuais e a nível de comunicação, lançaram uma campanha de crowdfunding. Caso consigam angariar o montante a que se propõem, qual será o destino do mesmo?

O crowdfunding será utilizado para profissionalizar o Shifter e firmá-lo no panorama nacional, impulsionando a execução prática do projecto. O lançamento do site e da app serão possibilitados pelo valor angariado, que será também utilizado para pagar servidores, impostos e outros custos operacionais a curto prazo. Será uma ajuda. Temos quatro pessoas a trabalhar praticamente a tempo inteiro no Shifter neste momento, sem receber um tostão. Fazer o Shifter ainda é caro e, para já, não estamos a contemplar salários porque temos outras prioridades.

Texto de Filipa Almeida

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