Continuar a acreditar

Por: M.ª João Vieira Pinto

No dia em que escrevo este Editorial, a “Blitz” – aquela publicação de música que acompanhou uma geração, durante anos - anuncia que vai deixar o papel. No grupo a que pertence, Impresa, o tempo do papel parece ser verbo conjugado no passado, com todos os títulos (à excepção do “Expresso”) a mudarem de mãos… para não morrerem!

Não chegam os dedos das mãos para contar as marcas editoriais que deixaram de ter vida nas bancas, este ano, entre uma “Flash”, “Autohoje” ou “Pais e Filhos”. E a avaliar por algumas previsões de investimento publicitário para 2018, o próximo ano não será de ouro. Pelo menos, não para o papel!

Segundo dados avançados pelo IPG Mediabrands, em 2018 o investimento publicitário no mercado português deverá manter um crescimento relativamente constante, mas será o digital quem comandará o pelotão, ganhando gradualmente terreno à TV. Já noutros meios tradicionais, como os jornais e revistas, a tendência é completamente inversa, esperando-se um decréscimo no próximo ano de -11% e -9%, respectivamente.

Se é o requiem do papel? Eu faço parte do grupo cada vez mais reduzido de crentes da sua existência e continuidade.

Claro que não ponho em causa que há todo um mundo novo que já chegou; que há muitas e novas formas de fazer chegar a informação; que os leitores mais jovens estão a migrar para outros formatos; e que o tempo, esse bem tão precioso, é escasso para a leitura atenta e o passar de página com calma. Mas acredito que haverá sempre espaço para a boa história, para o nicho, para o relevante. Como há para os hotéis boutique, para os restaurantes sem roteiro, as praias que não vêm em revistas.

Na Marketeer, até podíamos dizer “nós por cá, tudo bem”! Mas a verdade é que nos temos vindo a reinventar, e a transformar a marca-revista numa marca que se desdobra em diferentes formatos, de prémios a conferências, debates, pequenos-almoços ou suplementos. Investimos no online, já tivemos um pé na televisão, acreditamos que a soma é melhor do que as partes e é assim que vamos continuar em 2018.

Porque há ainda muitas histórias de marcas por contar, porque queremos ter o gosto de o fazer e porque sabemos que, desse lado, continuará sempre a haver quem o queira ler! E porque, claro, temos toda uma pequena-grande equipa disposta a fazer sempre mais por esta marca. Fique então por aí connosco, em 2018.

Editorial publicado na revista Marketeer n.º 257 de Dezembro de 2017

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