Yoga para crianças (e pais) mais felizes

Trabalhos de casa, desportos competitivos, pressão dos pais e professores para serem os melhores em casa e na escola. Tudo isto são razões para os nossos filhos viverem em constante stress. E se o yoga os ajudasse a encontrar o equilíbrio?

Por Joana Santos, Professora de Yoga, Kids Go Zen: Yoga para Crianças Felizes (kidsgozen@gmail.com)

Sim, esta prática que permite trabalhar o corpo e a mente já está acessível aos mais novos. No Reino Unido e nos Estados Unidos da América muitas foram as escolas que optaram por oferecer aulas de yoga às crianças e, por cá, também tem crescido a procura por esta actividade, que desenvolve o corpo e permite relaxar.

Os mais pequenos têm o seu próprio ritmo, os seus próprios níveis de energia e necessidades. Por isso, as aulas são inteiramente adaptadas ao desenvolvimento de cada criança. Ou seja, estas são aulas muito diferentes daquelas que estão disponíveis para os adultos.

Num mundo em que há cada vez menos tempo, muitas vezes esquecemo-nos de parar para pensar no quão importante é permitir às crianças que sejam elas próprias: que tenham tempo para brincar,
imaginar, sonhar e sentir. Sem tarefas muito exigentes, horários apertados e ecrãs barulhentos.

Assim, durante uma aula de yoga, as crianças aprendem enquanto brincam. O tapete transforma-se num barco, numa bicicleta ou até mesmo num avião e as diferentes posturas de yoga com nomes em
sânscrito ganham definições próprias do imaginário dos mais novos. Há tigres ferozes, gatos assanhados, elefantes simpáticos e cães amigáveis para tornar o corpo mais forte e flexível. Aprende-se a ser uma árvore de raízes profundas e folhas leves para trabalhar o equilíbrio físico e emocional. Cantam-se músicas sobre os números e as letras para desenvolver o racíocinio e consolidar aquilo que se aprende na escola.

Pelo meio, há muitos risos e felicidade, mas também momentos de silêncio e de autodescoberta. No final, a criança ganha consciência do seu corpo, auto-estima e capacidade para enfrentar, com mais
calma, os desafios impostos pela própria vida. E porque tudo é feito ao ritmo de cada um, não há competição para ver quem chega primeiro, mas sim um sentimento único de cooperação entre todos.

No final, todos saem a ganhar. Em casa, as birras diminuem e, na escola, a criança aprende a perceber quais são os momentos em que não pode fazer barulho e aqueles em que pode – e deve – participar. Até os pais, se se deixarem levar por esta prática, em conjunto com os seus filhos, redescobrem a criança interior que, ao longo dos anos, foram esquecendo.

Artigo originalmente publicado na edição de Novembro de 2017 da revista KIDS

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