11.ª Conferência Marketeer: Marca Cristina

Foi sob os holofotes que quem está habituado a trabalhar em televisão não estranha que decorreu esta manhã, na 11ª Conferência Marketeer, uma conversa entre Cristina Ferreira, apresentadora de televisão e empresária, e Maria João Vieira Pinto, directora de redacção da Marketeer. O tema, esse, girou em torno da “Marca Pessoal/The Footprint”.

«Foi a imprensa que começou a dizer que eu sou uma marca; eu sou apresentadora de televisão, as coisas foram acontecendo… mas estranhei», ressalva Cristina Ferreira, que encabeçou há meses a maior contratação da televisão portuguesa, considerada a grande marca feminina em Portugal, e que continua a dar a cara por marcas e pela sua marca. Há aqui uma dualidade de ser marca própria, marca produto e marca canal.

E hoje já é assumidamente uma marca. «O salto talvez tenha sido dado com o blogue, numa altura em que não havia blogues associados a caras conhecidas do público. Os programas da manhã são desvalorizados, mas é no “day time” que fidelizamos públicos. Aquilo que faço é adaptado às pessoas para quem trabalho. Se notarem estou a falar mais baixo aqui porque isto sou eu, num ambiente mais barulhento sou mais sonora. (…) Eu sou embalagem, imagem, mas também tenho conteúdo, é esse conteúdo que chega às pessoas e tem uma marca de verdade. E se não for feito desta forma não é possível.»

Cristina Ferreira tem um percurso profissional feito de acasos. Como teve oportunidade de explicar, queria ser jornalista, formou-se inclusivamente na área, chegou a estagiar na RTP, mas apercebeu-se de que era demasiado sério para ela. Tirou o curso de apresentadora, fez um estágio no “Olá, Portugal” e quis o acaso que fosse a terceira a ser chamada numa altura em que Manuel Luís Goucha estava de férias e Teresa Guilherme encabeçava o programa, o que lhe proporcionou a oportunidade de trabalhar nos “Diários do Big Brother”, indicada por Teresa Guilherme. Mais tarde, candidata-se ao casting para o “Fear Factor”, convicta de que ia ser a escolhida – era um programa feito na Argentina durante três meses, o que para uma miúda, na altura, de 26 anos era entusiasmante -, mas não entra. A seleccionada é Leonor Poeiras. E a Cristina Ferreira fica a substituir Leonor Poeiras num programa da manhã, apresentado por Júlia Pinheiro e Henrique Garcia. É aqui que Júlia Pinheiro a convida para fazer par com Manuel Luís Goucha. «Por isso digo o que vier será melhor. Mesmo o que corre mal, sei que acontece por um motivo.»

Aos 41 anos, troca a TVI pela SIC, certa das suas decisões. Como diz, «a vida é de quem a agarra. Perguntam-me se eu não tenho medo? Digo que não. Medo, tenho de ficar no mesmo sítio. Está tudo à espera que eu dê um trambolhão. As minhas escolhas são calculadas e pensadas. Não são inocentes. Eu já não crescia [na TVI]. Estava feito o meu caminho. (…) Precisava de começar outra vez, de construir do zero, sem medos. (…) Eu disse ao Francisco [Balsemão] “eu não vim para perder”. Eu sou do tempo em que a SIC era líder. Agora a ideia é humanizar a SIC. Acho que faltava calor, coração e afecto. Coisa que a TVI tem à conta das figuras que tem, como a Rita Pereira e o Pedro Teixeira, que não têm vergonha de ser quem são, são autênticos. Por muito que a embalagem seja bonita, se não houver conteúdo não voltam a comprar».

Um dos muitos segredos do sucesso que alcançou é o foco. «Eu não queria 48 horas, queria outra Cristina. Tenho muita gente comigo, uma equipa inteira, mas nada sai para a rua sem eu ver. Sou eu que faço a gestão dos posts no Facebook e Instagram. Tudo o que é assinado por mim é escrito por mim. (…) Não sou de deslumbres com tudo o que me aconteceu. Até digo para a minha equipa: “Quando estiver a ser parva digam-me”.»

Tudo a que se associa, fá-lo por gosto e para se prolongar no tempo. Cristina Ferreira partilhou com a audiência da conferência o desafio diário de ultrapassar o preconceito em relação à sua imagem. Contou ainda que quando se mete em algo já está a pensar no próximo desafio.

«O meu propósito hoje é passar cada vez mais mensagens. A última revista Cristina foi sobre uma campanha de violência doméstica e recebi muitas mensagens… Fiquei com a sensação de que 80% das mulheres era agredida», conta, certa do caminho que está a percorrer, já que recebeu mensagens de mulheres que decidiram fazer queixa dos companheiros por causa daquela edição. «Ou o caso da capa com o beijo homossexual. Se eu sou exemplo e marca, quero ajudar, criar o push. Quero continuar a acordar às 6 da manhã e a agradecer.»

Veja um excerto da conversa:


Texto de TitiAna Amorim Barroso

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