Estará o digital a matar as marcas?

Ricardo Florêncio

Director Editorial Marketeer

Estará o digital a matar as marcas? Este foi o tema e título da mais recente Conferência da Marketeer realizada no passado dia 28 de Junho. É obviamente um título provocador, mas não disparatado.

Se esta questão tivesse sido colocada há alguns anos, ninguém a entenderia. Se tivesse acontecido há dois, três anos, certamente que teria resposta unânime pela negativa. Hoje, já não parece uma questão tão descabida, sendo mesmo delicada. Coloquemos logo de lado as questões de todo o comércio online, pois não é esse o tema em questão. O tema é a construção e manutenção de marcas, dos seus valores, do seu posicionamento. E é recorrente que alguns responsáveis das marcas e Marketing das empresas confundam as duas situações. Aliás, é fácil verificar o regozijo e satisfação com que as marcas anunciam os resultados de diversas campanhas que lançam no mundo digital. Esquecem-se, muitas vezes, é que, por detrás desse sucesso, estão anos e anos de investimento em branding, em posicionamento, em reconhecimento por parte de clientes e mercado.

É assumido que, apesar do rodopio que se vive na sociedade actual, as marcas continuam a desempenhar um papel fundamental. E assim é imperativo que se continue a investir nas marcas, como factor diferenciador da concorrência, que hoje vem de todo o lado. E então qual o papel do digital nessa construção ou manutenção de uma marca? Qual a importância que deve ser atribuída ao digital para essa situação? Todo o marketing, toda a comunicação, toda a gestão de marca, toda a estratégia, mais do que nunca, deverão ser pensados e desenvolvidos em multiplataformas. E será que as marcas estão cientes disso? E estão a trabalhar com base nestes princípios? Ou ficaram ofuscadas e inebriadas pela luz do digital e esqueceram-se dos outros  meios? Nos últimos anos assistiu-se a um crescimento exponencial do digital em detrimento, e mesmo substituição, de outros meios. Contudo, hoje assiste-se a um recuo de algumas grandes marcas, pois chegaram à conclusão que, afinal, o digital não servia alguns dos objectivos que queriam atingir.

Na verdade, cada meio, com as suas características muito próprias e específicas, serve um fim e um objectivo. Deste modo, será na conjugação de todos, que as marcas e as empresas se irão manter no mindset do mercado.

Editorial publicado na edição de Agosto de 2018 da revista Marketeer

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