Comic Con: Quando as marcas querem entrar nas histórias

Está a chegar uma nova edição da Comic Con Portugal. O festival promete trazer, pela primeira vez, a Lisboa o que de melhor a cultura pop tem para oferecer. No recinto são esperadas, a partir de amanhã, mais de 100 mil pessoas que poderão ter contacto com as principais novidades e algumas estrelas do mundo da televisão, cinema, banda desenhada, internet, entre outras áreas, mas também com várias activações de marca. A Nos é a patrocinadora principal do evento, mas muitas outras marcas vão aproveitar para estar presentes no Passeio Marítimo de Algés, mostrando que este é um território cada vez mais apetecível.

E por que é que as marcas devem estar atentas a este território? «Primeiro, porque há milhões de geeks em todo o mundo, que são apaixonados pela cultura pop, que fazem tatuagens das suas personagens favoritas – o que em marketing se chama de share of skin. Depois, porque há uma democracia de idade e género. Em cada cinco gamers, dois são mulheres. Mas, por vezes, as marcas não entram neste território porque têm medo de serem esmagadas pelas grandes marcas da cultura pop, que têm orçamentos gigantes», afirmou esta manhã João Dionísio, professor da Porto Business School, durante a Comic Con to Business. «É obrigatório as marcas estarem presentes neste mundo, porque têm a possibilidade de criar uma narrativa junto dos consumidores, que são cada vez mais cépticos e cínicos em relação às marcas. E a Comic Con é a casa das histórias!», reiterou.

Pelo terceiro ano consecutivo, a Comic Con Portugal voltou a organizar a conferência pré-evento que junta as marcas e parceiros da organização para debater o estado da cultura pop em Portugal. Além de João Dionísio, Filipe Homem Fonseca (argumentista), Joe Reitman (actor e correspondente da Comic Con Portugal), Patrícia Pereira (Rádio Comercial) e Mário Tavares (Museu Nostalgica) também marcaram presença numa mesa-redonda dedicada ao tema “Ser geek nos nossos dias”.

Para Filipe Homem Fonseca, é fundamental que as marcas que investem para entrar no mundo do “fantástico” (por exemplo, para activar a marca num filme) saibam respeitar a criatividade que está por detrás destes conteúdos. «As marcas devem investir em storytelling, mas devem dar liberdade aos argumentistas e não impor as suas ideias», sob pena de a publicidade se tornar demasiado intrusiva, opinou. Uma ideia reforçada por Joe Reitman: «Se as marcas querem integrar os seus produtos à força, matam a criatividade. Um produto, uma marca, deve ser um suporte à criatividade.»

Para os participantes no painel, a aposta das marcas no território pop está também relacionada com o contexto cultural e com o desenvolvimento do conceito de geek, que já não tem uma conotação tão negativa como antigamente. «O geek surge no pós-Segunda Guerra Mundial, que é quando aparecem os primeiros videojogos. Geralmente, são pessoas introvertidas e criativas, que têm dificuldade em expressar-se e são, muitas das vezes, incompreendidas. Em Portugal, antigamente, o geek era o “cromo” da informática. Hoje, ser geek é cool e significa alguém que é muito especializado nalguma coisa», referiu Mário Tavares. «Na verdade, um geek não é muito diferente de uma adepto de futebol que defende a sua paixão, compra a camisola do clube e gosta de saber mais sobre aquilo que o apaixona», lembrou Patrícia Pereira.

Pontos de ligação

Ana Torres (Managing and Creative director Havas Sports & Entretainment) foi outra das oradoras a marcar presença na Comic Con to Business, onde abordou também o tema da ligação das marcas ao território da cultura pop. Para a responsável, esta é uma relação natural, uma vez que o público que compõe este mercado tem uma ligação tão forte a este universo, que as marcas acabam sempre por encontrar pontos de contacto. «Nesta indústria [do marketing], para sermos criativos e chegarmos aos consumidores, temos de ter um ponto de ligação às pessoas. E mesmo nas histórias de super-heróis, por mais fantasistas que sejam, há sempre algo com que nos relacionamos», afirmou. No caso da Havas, lembrou, a agência trabalha a conta da Disney, onde «o grande desafio passa por tornar a comunicação mais local, adaptada ao consumidor português.»

A responsável da Havas Sports & Entretainment lembrou ainda as palavras de Chuck Porter (fundador da Crispin Porter+Bogusly): «Não façam marketing, façam cultura pop.»

Veja aqui os últimos preparativos para a Comic Con Portugal:

E acompanhe as declarações de Paulo Rocha Cardoso, director-geral da Comic Con Portugal, e de Francisco Rocha Gonçalves, vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras, durante a abertura da Comic Con to Business:

Texto de Daniel Almeida

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