Cozinha portuguesa, com certeza

A Casa Lisboa mostra alguns dos pratos clássicos da cozinha portuguesa, como o Bacalhau à Brás ou os Peixinhos da Horta. Propostas guiadas pelo chef Luís Gaspar, enquanto se contempla o património português, neste caso, o Terreiro do Paço, em Lisboa.

Texto de Rafael Paiva Reis

Uma homenagem ao produto português. É desta forma que o chef Luís Gaspar descreve o seu mais recente espaço, a Casa Lisboa. Localizada em pleno Terreiro do Paço, a sua missão é reavivar de memória a quem está mais familiarizado com os sabores tradicionais, visitando o património histórico e gastronómico português.

A Marketeer foi à Casa Lisboa provar algumas ofertas daquele que foi o Chefe Cozinheiro do Ano 2017, tendo sido também galardoado com o Best Promising Chef of Portugal. Apesar do acolhedor e bem decorado interior, prescindi das suas abóbadas para desfrutar da esplanada.

A recomendação do chef começa por um cocktail de autor. Vinho do porto com lima e cereja, ou licor de amêndoa amarga e flor de sal. Especial destaque para a segunda, que vem acompanhada por uma colher para que possa saborear uma espuma com amêndoa torrada.

Trocou-se a colher pelo garfo e faca e seguiram-se as entradas. Peixinhos da horta com molho tártaro, tão estaladiços quanto saborosos, e Ovo a 64° com espuma de farinheira, espargos verdes e cogumelos.

Ovo_a_64 casa lisboa

Quanto ao prato de peixe, a escolha recaiu no clássico Bacalhau à Brás. É apresentado num círculo perfeito, todo ele coberto por lascas de bacalhau e, sob as mesmas, gema de ovo confitada. Sem esquecer a azeitona desidratada, a finalizar, juntamente com alguns rebentos de salsa, erava aromática sempre presente neste prato.

Segue-se a carne, neste caso Leitão Assado, tenro no interior e com a desejada pele crocante a marcar presença. Servido sob um glacé, surge acompanhado por alface romana grelhada e um aveludado puré de batata doce.

Ainda com algum espaço e ambição para a sobremesa, a recomendação do chef traduziu-se no Pudim Abade de Priscos, a sua preferida, cuja indulgência foi serenada por um sorbet de lima.

A selecção foi vasta mas, ainda assim, ficaram muitos outros pratos por provar, como as Amêijoas à Bulhão Pato, Filetes de Pescada com arroz de tomate, Arroz de Pato e Arroz Doce com sorbet de maçã Granny Smith e lima.

A refeição termina enquanto ainda se vislumbravam os últimos esgares do sol. O Arco da Rua Augusta, o eléctrico que passava em frente e, atrás, o Rio Tejo, elementos que, juntamente com a gastronomia portuguesa elevada pelo chef Luís Gaspar, fizeram deste final de tarde uma experiência gastronómica, mas também patrimonial. Foi portuguesa, com certeza!

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