Optimismo à mesa!

Há espaços onde entramos e nos sentimos em casa. Com conforto e aconchegados. Não sei bem se esse foi um dos propósitos do trio responsável pelo Optimista. Mas já não há nada a fazer. É mesmo assim.

O Optimista apresenta-se como restaurante, bem na Rua da Boavista, junto ao Cais do Sodré. Mas diria que é mais um local de encontros. Da cozinha com a Arte, do nosso palato com sabores e temperos portugueses, das próprias vidas dos três fundadores – Filipe é gestor de informática, mas está no Opimista como “peixe na água”; Rita é designer de interiores, alinha a decoração do espaço e ajuda na definição de ementas e pratos; e Pedro, financeiro de formação, move-se por ali como se fosse a sua casa de sempre. Porque este é um projecto “sonhado e amado”, como dizem, e, talvez também por isso, nos sentimos sem pressa quando nos sentamos à mesa. Ajudado, mais ainda, pela presença da Pureza, o unicórnio a quem sorrimos assim que entramos! E que não acredito que não fique com um ponta de inveja quando nos vê provar o que vai chegando.

Aqui, confirma Rita, a homenagem quer-se às receitas tradicionais portuguesas com apontamentos de outras cozinhas. Por isso, há bacalhau, bife mas também tempuras ou couve kimchi.

OPTIMISTA 1

Para o Optimista, o trio foi buscar uma dupla de chefs bem jovem – André Andrade e Pedro Correia, saídos do restaurante Rabo d’Pêxe  –, mas são todos, em conjunto, que vão desenhando a carta sempre em função, ainda, dos ingredientes que se querem da época, da semana ou do dia. Por isso, não estranhe se encontrar alguma mudança. Mas será sempre por um bem maior.

Há uma carta ao jantar, mais completa, e uma de almoço – de terça a sexta – mais reduzida, com couvert, quatro entradas, cinco pratos principais e quatro sobremesas.

Por esta altura, e se for a uma sexta – como nós –, pode começar por se entregar a uma tomatada com infusão de alecrim e ovo escalfado, ao xerém com lingueirão em conserva e maionese de alho confitado ou croquetes de rabo de boi com maionese de couve kimchi à portuguesa. Aplauso real aos dois primeiros; confesso que não fui ao último. Até porque só estamos em início de hostilidades!

Seguiram-se os pastéis de massa tenra – a fazer lembrar outro espaço de Lisboa, de outros tempos – com arroz de espinafres, que apetece repetir, e repetir, e repetir… Ah, e ainda formos aos peixinhos da horta.

Para quem não dispensa carne, diz que o bife do espelho da agulha, xerém frito, molho de cheiros e pickle de três pimentos é imperdível.

2 optimista

O que digo que não se pode perder, mais uma vez, é o bolo de chocolate da Pureza, com coulis de frutos vermelhos, amêndoa laminada e gelado de nata e manjericão.

Pelo meio, vá experimentando o vinho de um pequeno produtor, destacado na carta que é organizada por categorias sensoriais, entre os “Salgados e Vegetais” ou os “Quentes e Gordos”.

O Optimista abriu portas há quase um ano, mas a sua história começou antes, quando Filipe e Rita sonharam ter um restaurante. Iniciaram-se em supper clubs e geriram a Cafetaria Carpe Diem. Agora, o sonho tem outro sabor, tem muita Arte – as paredes exibem obras de vários autores, que estão à venda – e o nome não podia ser outro que não… Optimista!

Texto de M.ª João Vieira Pinto

Fotos de Luís Ferraz

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