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A Estratégia de Sustentabilidade da Águas do Algarve foi definida para o período 2016- -2020. Integra seis grandes princípios e 20 compromissos, abrangendo temas como a conservação das massas de água e da biodiversidade, a adaptação às alterações climáticas, o desenvolvimento de uma economia local responsável, a valorização da relação com os colaboradores e uma aproximação crescente à comunidade, entre outros.

Teresa Fernandes, responsável de Comunicação e Educação Ambiental da Águas do Algarve, explica os trabalhos que têm vindo a ser desenvolvidos pela sua equipa.

Quais os principais pilares da política de sustentabilidade da Águas do Algarve?

A Estratégia de Sustentabilidade da Águas do Algarve está alinhada com os princípios e compromissos que estão definidos para todo o Grupo das Empresas Águas de Portugal. Pretende-se com esta contribuir para harmonizar a gestão do ciclo urbano da água com os desafios do desenvolvimento sustentável.

Na base desta estratégia está o conceito de simbioses, que decorre da relação de estreita interdependência que as actividades desenvolvidas pela empresa mantêm com a qualidade de vida das pessoas e do ambiente, estando a montante e a jusante de todas as restantes actividades económicas.

Os valores da nossa política têm essencialmente a ver com a sustentabilidade na utilização de recursos naturais, preservação da água enquanto recurso estratégico essencial à vida, equilíbrio e melhoria da qualidade ambiental, equidade no acesso aos serviços básicos e o bem-estar das populações através da melhoria da qualidade de vida. Somos um grupo empenhado em contribuir de forma relevante para a promoção de um futuro sustentável, aliando o crescimento económico com a responsabilidade ambiental, a justiça social e a qualidade de vida das populações de hoje e das gerações futuras.

Que acções de sensibilização têm vindo a desenvolver?

São imensas e caminhamos com afinco, com todas elas, em direcção ao combate às alterações climáticas. Estamos a falar de uma matéria que faz parte do ADN da Águas do Algarve e que tem vindo, gradualmente, a crescer, acompanhando o desenvolvimento da empresa, num trabalho que já soma 18 anos. O encontro “Desafios da Água” é um exemplo.

Pela primeira vez, organizámos um evento internacional que reuniu no mesmo espaço, ao longo de dois dias, especialistas e investigadores, professores e alunos (do 1.º ciclo aos universitários), entidades do turismo e população em geral. Por outro lado, o facto de estarmos presentes em praticamente toda a região tem-nos permitido dinamizar muitos projectos de sensibilização, envolvimento e responsabilização dos cidadãos em questões como a preservação dos recursos hídricos, a importância da qualidade e da disponibilidade da água para a vida em ciedade, o seu uso eficiente e reutilização, e a aplicação de boas práticas ambientais.

Estas acções têm a premissa de estimular a participação de toda a população: família, escola, comunidade, ao longo de todo o ano. Que resultados têm alcançado?

Os resultados têm sido positivos, com consequentes alterações comportamentais. A Águas do Algarve tem promovido o consumo de água da torneira.

Em que consiste a estratégia?

Na Águas do Algarve, prestamos um serviço essencial à população, quer a nível do abastecimento de água, quer do saneamento. Na conjuntura actual das alterações climáticas deparamo-nos com importantes desafios ambientais. Temos consciência daquela que é a nossa quota de responsabilidade na manutenção do equilíbrio entre o que a natureza nos oferece e a procura que dela fazemos. As acções de sensibilização para a água da torneira obedecem a esse objectivo, sendo um importante instrumento estratégico no âmbito da gestão eficiente do uso que fazemos dela, mesmo em fases de não existência de seca, como é a actual.

Em situação de escassez de água as campanhas de sensibilização são orientadas para a apresentação da situação e para o incentivo à poupança voluntária de água, centrada na promoção de maior cidadania ambiental participativa, colocando a intervenção pessoal como um factor decisivo para a gestão do problema. A nossa estratégia de comunicação passa por considerar medidas preventivas, preconizando a sensibilização dos diferentes sectores utilizadores, a população em geral, bem como todos os stakeholders no objectivo de preservação do recurso através da promoção do seu valor e da sensibilização para a adopção de boas práticas de uso eficiente da água.

Em que medida é que os colaboradores da empresa são envolvidos nos projectos? Não há como não envolver as pessoas. Gostamos de valorizar o capital humano da empresa. Fazemos questão de que os colaboradores sintam que fazem parte da estratégia de desenvolvimento da nossa actividade, envolvendo-os. Veja-se o caso do Evento Internacional dos Desafios da Água, totalmente organizado e desenvolvido pelos nossos colaboradores.

É um exemplo prático que veio beneficiar a empresa, mas também os nossos colaboradores ao atingir os objectivos inicialmente propostos e simultaneamente a satisfação pessoal dos envolvidos.

De que forma as comunidades são envolvidas nas acções?

O Plano Anual de Educação Ambiental que integra a vertente da sustentabilidade e da responsabilidade social tem como principal objectivo abranger o maior número possível de pessoas de todas as idades, dando-lhes a possibilidade de participar nas diferentes actividades que propomos. No Verão, organizamos iniciativas de incentivo ao uso efi – ciente da água e sustentabilidade de recursos.

Em datas especiais como os Dias Mundiais (da Água; do Ambiente; do Saneamento; dos Oceanos), criamos acções direccionadas para a população em geral e para os nossos colaboradores. Por exemplo, concursos de fotografi a, workshops e visitas às diferentes instalações da empresa. Durante os restantes meses, o nosso foco principal é direccionado às camadas mais jovens, tendo em atenção o calendário escolar. Nestas iniciativas pretendemos estimular a vertente crítica e a participação activa dos alunos.

Organizamos visitas guiadas às fábricas da água (ETA) acompanhadas por colaboradores que mostram os processos de tratamento da água para consumo humano e o tratamento de águas residuais que fazemos na região. Como tem a Águas do Algarve procurado reduzir a sua pegada ecológica? A empresa tem como missão garantir o abastecimento de água para consumo humano e o tratamento de águas residuais de acordo com os mais elevados padrões de qualidade e fiabilidade, num quadro de sustentabilidade económica, social e ambiental. Ao longo dos anos temos vindo a acompanhar a actividade com investimento em I&D em várias vertentes, nomeadamente para as energias renováveis limpas, com redução das emissões atmosféricas e, consequentemente, amigas do Ambiente.

Gostaria de destacar a mobilidade eléctrica e os parques fotovoltaicos. A mobilidade eléctrica tem sido um dos nossos grandes desafi os, com o desenvolvimento de um conjunto de iniciativas de elevado valor. Por exemplo, renovámos a frota automóvel com a aquisição de 16 viaturas eléctricas assim como a instalação de postos de carregamento. Isto permitiu retirar de serviço 16 viaturas com motor térmico convencional que seriam responsáveis, considerando a quantidade de quilómetros efectuados, pela emissão de 37 Ton de CO2 para a atmosfera.

Temos vindo a investir na instalação de parques fotovoltaicos em regime de autoconsumo. O objectivo é de diminuir o consumo energético global da empresa em cerca de 2,6 GWh no ano de 2020 relativamente ao ano de referência (2015), o que representa uma redução perto de 7,5%. Paralelamente signifi ca uma redução de recursos fi nanceiros na ordem dos 270.000 euros aos preços actuais da energia. Com este projecto iremos poupar cerca 650 Tep (toneladas equivalentes de petróleo) o que equivale a evitar cerca de 1222 Ton equivalentes de CO2 emitidas para a atmosfera.

O investimento previsto no plano é de 631,549 euros até ao final de 2020, período também previsto para a instalação de mais 13 centrais fotovoltaicas a acrescentar às 60 centrais fotovoltaicas já existentes na empresa. Já se encontram em estudo mais duas grandes centrais fotovoltaicas que entrarão em serviço ainda no decorrer de 2018.

Após a concretização destes projectos, a nossa autonomia energética fica perto dos 10% dos consumos totais de energia eléctrica da empresa e uma poupança de recursos fi nanceiros da ordem dos 700.000 euros/ ano, assim com evitar a emissão anual de 2820 Ton de CO2 para a atmosfera.

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