Õtaka conquista açorianos (e continentais)

Abriu há pouco mais de um ano e já conquistou os residentes na Ilha de São Miguel. Referimo-nos ao Õtaka, o restaurante nikkei (cozinha japonesa com influências peruanas) que está instalado bem no centro de São Miguel, numa rua paralela ao Louvre Micaelense.

Aberto apenas ao jantar, o melhor é fazer reserva para um dos dois turnos de serviço: 19h30 ou 22h00. É que se tentar a sua sorte sem marcação é pouco provável que seja bem sucedido, seja em época baixa – há clientes fiéis residentes na ilha que vão lá a cada quinze dias, representando 80% das refeições servidas – ou em época alta – já que aos micaelenses se juntam os turistas que nos meses mais quentes fazem aumentar a população da ilha.

Nós fomos no primeiro turno porque sabíamos que para degustar um menu e experimentar um pouco de cada uma das especialidades desenvolvidas pelo chef José Pereira – que escolheu a ilha do arquipélago dos Açores para estabelecer a sua família e abrir o primeiro restaurante – levaríamos tempo. E a expectativa confirmou-se. Entre a sucessão de pratos do menu Experiência e a conversa com o chef, saímos do restaurante já passava bastante da hora de início do segundo turno. Mas quando a conversa está animada e os pratos irrepreensíveis nem se dá pelo tempo passar.

Depois de um amuse bouche que varia com os produtos mais frescos do dias, começamos com um nigiri crocante e tártaro de chicharro-do-alto que nos deixou a salivar por mais. Mas recomendava-se prudência pois estávamos apenas no início. Seguiu-se-lhe o sashimi de salmonete, ponzu, jalapeños e mino. Os mais sensíveis à mesa começaram a acusar a presença das influências peruanas e houve que reforçar os copos. Mas era bastante tolerável, na nossa perspectiva. Da cozinha, visível de todos os 26 lugares da sala (a que se somam no Verão mais 18) já víamos entretanto sair o tataki de salmão, molho mostarda e miso. Até as papilas gustativas bateram palminhas. Ainda nos tatakis, chegou a vez de fazer uma incursão pela carne com o tataki de bife, pêra aromatizada a trufa e tosazu.

Com os ânimos já bem animados pelo festim de sabores, estava na hora de fazermos um brinde com o camarão martini e molho shiso. Uma aposta que voltou a deixar os mais sensíveis de copo em riste. Seguiu-se uma tempura vulcânica de peixe branco e jalapeños com uma muito interessante conjugação de sabores e uma forte apresentação em termos estéticos. Chegaria, de seguida, a salada de espinafres, queijo local, yuzu e trufa que olhando para o menu seria o que me deixaria menos confortável, mas foi uma belíssima surpresa com o queijo a casar na plenitude com a trufa e a dar um gosto surpreendente aos espinafres.

Antes de passar à sobremesa, houve ainda tempo para o black cod, grelos e migas de miso que é como quem diz um bacalhau fresco cujas lascas se desfaziam primeiro no prato e depois na boca. Houve ainda espaço para o cheesecake com creme yuzu e sorbet e maracujá que fechou com chave de ouro uma refeição a repetir assim que a hipótese surgir.

Texto de Maria João Lima

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